Algo me fez pensar bastante nisso recentemente e hoje, quando o rádio-relógio me acordou ao som de "21 Guns" (ou "All the Young Dudes" versão 2009), o estalo final foi dado. Sabe, eu sei das limitações do Green Day, mas gosto muito deles. Sempre gostei. Não tem nada de "uma das minhas bandas favoritas", nem perto disso, mas me divirto com o Green Day desde meados de 92, quando as rádios começaram a tocar "Welcome to Paradise". No ano seguinte, a música passaria a ser executada na sequência de um pessoal de Minas que começava a despontar como trilha sonora de baladas regueiras. Eu gostava de "Baixada News", confesso. Pensava se tratar de mais uma daquelas bandas cheias de contar histórias sobre gente sofrida, mas logo eles mostrariam que preferiam falar de garotas (nacionais) bebedoras de leite de leoa, e eu passei a gostar menos deles. De toda maneira, a impressão de que as carreiras de Green Day e Skank tiveram momentos muito parecidos me é bastante forte.
Enquanto os americanos vendiam "Dookie" aos baldes (isso foi em 94) e a MTV nos saturava com as ótimas "She", "Basketcase" e aquele clipe superbacana de "When I Come Around", o Skank fazia barulho com o chatíssimo, mas muito bem-sucedido, "Calango", que continha as saturadas "Esmola", "Te Ver", "Pacato Cidadão" e "Jackie Tequila". "O Beijo e a Reza" é bonitinha. Todas tão tocadas quanto os hits mais pegajososos de "Dookie", que ainda reprisava "Welcome to Paradise". Faltou mencionar "Longview", do tempo em que a cabeça do Billie Joe Armstrong ainda parecia uma broca de furadeira.
Depois de "Dookie" veio "Insomniac" e eu preciso fazer uma pequena declaração de amor a esse disco. Porque se teve um disco (que não fosse do Oasis) que eu ouvi até a exaustão na década de 90, esse foi o "Insomniac". E olha que eu não o tenho. "Geek Stink Breath" e "Brain Stew" e "Jaded", com aquele cliepezinho integrado, faziam a alegria dos meus finais de tarde na frente da TV. Essa música aí de baixo eu ouvi muito, em repeat, muito mesmo. Porque o Green Day realmente consegue ser muito legal. Legal, note, eles sempre foram isso: legais.
"Stuck with Me", terceira faixa de "Insomniac"
Um pouquinho antes do álbum do Green Day, os mineiros surgiam com seu disco de maior sucesso (e com um dos nomes mais irritantes da história da música mundial): "O Samba Poconé". Ok, "É uma Partida de Futebol" e "Garota Nacional" me enlouqueciam, mas não posso negar que "Zé Trindade" e "Eu Disse a Ela" não me obrigavam a tascar o dedo no botão do dial, não. Porque elas eram legais, sim, até "GN" era um pop legal. O Skank conseguia ser bem legal quando queria. Em 98, me fizeram simpatizar bastante com eles por meio de "Mandrake e os Cubanos", cujo clipe trazia o baterista aparecendo mais que o resto da banda. Uhú! Haroldo Ferretti dando de Dave Grohl. Bom ator o sujeito. Mas tanto a MTV quanto as rádios deram uma bela degringolada nessa época, e "Maquinarama", de 2000, me passou batido. A "Balada do Amor Inabalável" não chegava nem perto das pegajosas cheias de "dabidubas" dos discos anteriores.
Paralelamente ao sucesso dos discos acima, o Green Day nos presenteava com "Nimrod" e "Warning", que não incluíam nenhuma "Basketcase", mas me faziam levar a vida menos a sério com "Redundant", "Uptight", "Good Riddance (Time of Your Life)" - vai dizer que essa aí não surpreendeu? -, "Warning" (chata) e "Minority". O "Nimrod" eu ouvi pra caramba, era uma infinidade de hits e, então, o que o Green Day resolveu fazer? Incluir tudo isso numa coletânea, claro. Coincidentemente, no mesmo ano, que era 2001, o Skank também lançou uma compilação, só que ao vivo.
"Shenanigans", do Green Day, me passou batido. Deve ter sido a época mais fraca da MTV desde sua fundação. Mesmo assim, um ano depois, o Samuel Rosa apareceu de cabelinho Mod e jaqueta jeans para dizer que andava ouvindo muito Oasis e outros britpops, absorvendo essas influências e emulando elementos beatlemaníacos. Dessa boa referência surgiu "Cosmotron", a primeira vez em que me deu vontade de comprar um disco do Skank. "Cosmotron", por mais que fosse uma cópia descarada de pop inglês, mostrava que o Skank tinha usado a cabeça num sentido diferente do reggaezinho besta. Sempre tive a impressão de que as letras do Skank eram encaixadas em melodias pré-criadas e que, por isso, ficava tudo meio sem sentido e com "lalalás" e "dubarubas" demais. "Dois Rios" é um exemplo descarado disso, mas é bem bonita. "Vou Deixar" é o hit-novela-das-7 de que eles precisavam para voltar a parecerem divertidos e "Supernova" é a música mais Oasis que o Oasis jamais lançou.
Bem pertinho de "Cosmotron" e sob a influência dos ataques de 11 de setembro, o Green Day resolveu virar banda de gente grande. "American Idiot" pode até tê-los feito exagerar no delineador, mas é um execelente álbum, com excelentes letras e hits com mais conteúdo e pertinência do que todos os outros anteriores. "Jesus of Suburbia" mostrou que o Green Day podia avançar muito além de seus 3 minutos, "Boulevard of Broken Dreams" e "Wake me up When September Ends" tocaram até não poder mais, porém eram cheias de estilo, cheias de detalhes, de protestos, e os vocais eram incrivelmente bons. "Holiday" se tornou minha música favorita da banda. Eu adoro "Holiday". E meu respeito pelo Green Day chegou ao ápice.
Quanto ao Skank, "Radiola" e "Carrossel" não me conquistaram, mas mantiveram aquela consistência proposta por "Cosmotron". Eles eram mais maduros e uma banda madura não precisa de hits inacreditáveis para mostrar que está viva. Com o Pearl Jam é assim. Nessa fase do Skank, o Green Day ainda colhia as glórias de "American Idiot" (o disco teve, pelas minhas contas, 7 clipes de músicas retiradas dele) e gravava com o U2.
O Skank acaba de lançar "Estandarte", do qual eu só ouvi a bonitinha "Ainda Gosto Dela". A capa não engana ninguém, eles continuam sob influência britânica. Já o Green Day promove "21st Century Breakdown", sequência lógica de "American Idiot", com críticas à guerra e ao império yankee, ainda que com timing menos preciso.
Não foi só porque me deu vontade de escrever ou porque o rádio-relógio me surpreendeu. Depois dessa sessão nostalgia eu me convenci de que há trajetórias de bandas sem a menor ligação que têm muito a ver uma com a outra.
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
the next best thing
Eu acho que isso aqui vinga.
Independentemente de quanto dure, não consigo parar de ouvir há dias.
E o clipe meio Crystal (ou meio Somebody Told Me) com um quê de Kraftwerk me faz botar mais fé nos...franceses!
Rise, Phoenix.
Independentemente de quanto dure, não consigo parar de ouvir há dias.
E o clipe meio Crystal (ou meio Somebody Told Me) com um quê de Kraftwerk me faz botar mais fé nos...franceses!
Rise, Phoenix.
Terça-feira, 23 de Junho de 2009
I never
Essa letra me revira o estômago.
Errar o tom é o de menos.
Adoro (quando não sou eu quem canta).
I'm coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this
It was only a kiss, it was only a kiss
Now I'm falling asleep
And she's calling a cab
While he's having a smoke
And she's taking a drag
Now they're going to bed
And my stomach is sick
And it's all in my head
But she's touching his chest
Now, he takes off her dress
Now, let me go
I just can't look, it's killing me
And taking control
Jealousy, turning saints into the sea
Swimming through sick lullabies
Choking on your alibis
But it's just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
Cause I'm Mr. Brightside
I never
I never
I never
Errar o tom é o de menos.
Adoro (quando não sou eu quem canta).
I'm coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this
It was only a kiss, it was only a kiss
Now I'm falling asleep
And she's calling a cab
While he's having a smoke
And she's taking a drag
Now they're going to bed
And my stomach is sick
And it's all in my head
But she's touching his chest
Now, he takes off her dress
Now, let me go
I just can't look, it's killing me
And taking control
Jealousy, turning saints into the sea
Swimming through sick lullabies
Choking on your alibis
But it's just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
Cause I'm Mr. Brightside
I never
I never
I never
Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
the sweetest melody is the one we haven’t heard
Hoje vinha para o trabalho pensando em escrever um post sobre as novas canções do U2, desse novo álbum com o qual ainda não me acostumei. Demorei a gostar de "Magnificent" - e ela ficou boa, muito boa - e até hoje não vou muito com "Get on Your Boots". Mas desde a primeira vez que o escutei, uma me chamou muito a atenção. Virou single. "I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight". Foi essa música que me fez acreditar que o U2 ainda podia me causar arrepios, mesmo com um álbum que considerei mediano, menos catchy, no padrão de qualidade da banda, mas menor, muito menor que os últimos dois pelo menos. Caramba, como eu gosto dessa música.
(Engraçado: "Get on Your Boots" me incomodou porque é igual a "Pump It Up", mas "I'll Go Crazy" me lembra "When It's Love" e eu a perdoo)
Daí que o Uol me apareceu com o trailer de um documentário sobre guitarras e três grandes guitarristas, de três gerações diferentes: Jimmy Page, The Edge e Jack White. E, nesse trailer, aparece aquele trecho, aquele exato trecho em que Bono sai correndo pelo coração instalado no palco da turnê do "All That You Can't Leave Behind" e começa a cantar "Where the Streets Have no Name". Os pelos dos meus braços tiveram reação imediata com aquela guitarra, aqueles vocais, aquela corrida. Quero muito ver isso por inteiro. Porque a possibilidade do arrepio com U2 é algo que você não pode nunca deixar para trás.
(Engraçado: "Get on Your Boots" me incomodou porque é igual a "Pump It Up", mas "I'll Go Crazy" me lembra "When It's Love" e eu a perdoo)
Daí que o Uol me apareceu com o trailer de um documentário sobre guitarras e três grandes guitarristas, de três gerações diferentes: Jimmy Page, The Edge e Jack White. E, nesse trailer, aparece aquele trecho, aquele exato trecho em que Bono sai correndo pelo coração instalado no palco da turnê do "All That You Can't Leave Behind" e começa a cantar "Where the Streets Have no Name". Os pelos dos meus braços tiveram reação imediata com aquela guitarra, aqueles vocais, aquela corrida. Quero muito ver isso por inteiro. Porque a possibilidade do arrepio com U2 é algo que você não pode nunca deixar para trás.
Segunda-feira, 8 de Junho de 2009
And we will steal your life
And I own
In better homes surrounded
By your peers
Without suffering or fear
Grandchildren far and near
And none will shed a tear
For the love no longer here
And I own
In better homes surrounded
By your peers
Without suffering or fear
Grandchildren far and near
And none will shed a tear
For the love no longer here
how bizarre
Por que algo não pode ser simplesmente "estranho", "curioso", "peculiar", "pitoresco", esquisito", "fora do comum"? Por que é que algo precisa ser chamado de "bizarro"? Eu odeio a palavra "bizarro", uma modinha que se estabeleceu, uma espécie de frango com catupiry ou de espinafre com ricota do mundo lexical. Um exagero, porque tudo virou "bizarro". Me lembro de uma época em que qualquer coisa bonitinha era chamada de "meigo", em distorções absurdas do significado dessa palavra. Tudo pode virar qualquer coisa, não?
Só na última meia hora, ouvi a palavra "bizarro" três vezes. Sim, três vezes. Número bizarro, não? Coisas dessa gente bizarra com quem convivo. Não suporto mais tanta bizarrice.
Só na última meia hora, ouvi a palavra "bizarro" três vezes. Sim, três vezes. Número bizarro, não? Coisas dessa gente bizarra com quem convivo. Não suporto mais tanta bizarrice.
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
chegada
Quero!
Só por causa desta imagem eu já quero.

A Partida
E por causa de uma das resenhas mais bem escritas que já li.
Só por causa desta imagem eu já quero.

A Partida
E por causa de uma das resenhas mais bem escritas que já li.
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